As tecnologias digitais estão na pauta do dia nas discussões acadêmicas e nos meios profissionais brasileiros. De um lado, tem uma onda de consumismo muito forte e as empresas aproveitam para lançar mais e mais produtos novos.
Com cautela, o meio acadêmico assume passo a passo o uso das tecnologias. No meio mais específico, que trabalha com a educação distância, as tecnologias digitais tem ocupado um lugar de significativa importância.
Mas o que são tecnologias digitais? Todo mundo fala em interatividade, em navegação, usabilidade, acessibilidade. Das mais simples às mais complexas, na sua maneira de executar e interagir suas funções com o ser humano, elas estão movimentando conceitos e práticas educativas.
Tecnologias digitais então, compreende um conjunto de sistemas de informação e comunicação, aliados a aparatos tecnológicos desenvolvidos com o objetivo de permitir a usabilidade e acessibilidade de um indivíduo que irá interagir com outros indivíduos através deste equipamento, tendo uma grande porém definida gama de opções, afim de obterem informações e conhecimentos globalizados de maneira que estes indivíduos possam decidir que destino tomar no momento em que a informação está sendo processada, ou seja, em tempo real.
Muitos profissionais têm procurado compreender as novas tecnologias digitais com o objetivo de adaptá-las às metodologias que cada um emprega em seu campo de trabalho. Na educação, a busca de novas metodologias para continuidades dos processos de ensino e de aprendizagem direcionam as tecnologias contemporâneas em benefício do sistema educacional.
Mas de todas as reflexões, discussões e debates realizados pelos pesquisadores e estudiosos das tecnologias contemporâneas, a convergência de mídias tem ocupado um espaço de considerada expressão em todos os meios midiáticos de difusão do conhecimento. De acordo com o Livro Verde relativo à convergência dos setores das Telecomunicações, dos meios de comunicação social e das tecnologias da informação e às suas implicações na regulamentação, publicado pela Comissão Européia Bruxelas em três de dezembro de 1997, afirma que “o termo convergência foge a uma definição precisa, mas, em geral, considera-se que é: a capacidade de diferentes plataformas de rede(e de mídias) servirem de veículos a serviços essencialmente semelhantes, ou; a junção de dispositivos do consumidor, como o telefone, a televisão e o computador pessoal”.
Isto é uma realidade atual e toda a comunidade acadêmica deve estar preparada a rever seus conceitos metodológicos-pedagógicos e ir à busca de uma nova metodologia de ensino que tenha como alvo a eficiência operacional na manipulação tecnocientífica desta convergência de mídias de maneira que todos os atores do meio acadêmico no processo ensino-aprendizagem usufruam o máximo possível desta evolução tecnológica que chega ao alcance de uma significativa parte da sociedade. Desta forma pode-se buscar também extrair proveito da tendência mercadológica que as indústrias de equipamentos multimídias apresentam a sociedade com suas opções de interatividade entre indivíduos, através da conectividade homem-máquina, que vem aumentando diante da simplicidade e da usabilidade que os aparelhos midiáticos devem proporcionar. E esta simplicidade e conectividade devem ser acessíveis a todos sem distinção de classes, cultura ou nível de escolaridade.
A internet já é uma vitrine de modelos de convergência. Com acesso em banda larga cada dia mais veloz e com muitos dos seus usuários utilizando uma rede sem fio, sejam nas empresas ou residências, dentro de aviões ou de automóveis computadorizados. Até mesmo nas universidades e escolas de primeiro e segundo graus a internet tem sido um instrumento de convergência midiática facilitando o trabalho de professores e auxiliando no aprendizado de alunos.
Mas de acordo com Suely Fragoso em seu trabalho “Reflexões Sobre a Convergência Midiática” ela traz um questionamento intrigante quando diz que:
“Não é difícil compreender como a convergência dos modos de codificação conduz à padronização dos tipos de suporte e favorece a homogeneização dos modos de distribuição dos produtos midiáticos. A pergunta não é, portanto, se essa ‘cascata de convergências’ é possível, mas se ela é desejável. A princípio, parece não sê-lo, sobre tudo pelas obsolescências que o ‘descarte técnico’ aí implicado há de produzir, e que não ficarão restritas às configurações tecnológicas mas, mas vão se estender a conteúdos e estratégias expressivas.”
Essa preocupação de Suely Fragoso é relevante quando se observa a evolução da informática e dos aparelhos de comunicação, em especial o telefone celular, nos seus crescentes surgimentos de novos modelos com maiores capacidades tecnológicas e inovações funcionais. Fazendo com que modelos de computadores e aparelhos de telefone celular ficassem obsoletos e descartáveis em período inferior à doze meses. É, portanto, necessário que a academia contemporânea seja habilidosa em promover estudos e pesquisas com o objetivo de vencer este obstáculo que a indústria tecnológica impõe à sociedade. Dessa forma encontrar meios de interagir com estes aparatos de maneira que o meio social que em a academia esteja inserida seja beneficiada com todos os recursos tecnológicos oferecidos no momento, transformando toda a linguagem midiática, convergida ou não, em conhecimento e aprendizagem.
Apesar das grandes preocupações que a convergência midiática é esboçada por alguns autores ela também tem sido motivo de várias discussões em fóruns realizados por entidades governamentais. Os Ministérios da Cultura e Ciência e Tecnologia têm promovido debates sobre este assunto. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, em audiência pública na manhã do dia 23 de agosto de 2007, na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado Federal, chegou a afirmar que: “o país deve garantir que as novidades das convergências tecnológicas venham para qualificar a vida do brasileiro em seus direitos de produção e acesso à cultura”(fonte: sítio do Ministério da Cultura)
Mas mesmo com as discussões, preocupações, resistência e mesmo o abuso em seu uso, o celular é um exemplo de convergência de mídias que a cada dia tem tomado seu espaço e sendo visto e utilizado pelas mãos de pessoas das mais diversas classes sociais. Sejam crianças ou adolescentes, jovens ou adultos, alunos de escola pública ou particular, todos estão manuseando um aparelho celular. Em matéria exibida pelo sítio da INFO Online do Brasil, em 15 de agosto de 2007, encontramos: “Brasil já tem 108 milhões de celulares em uso”. Esta matéria mostra o grande crescimento do uso de celulares no Brasil e como este aparelho tem sido aceito por todas as camadas sociais, sejam econômica, cultural e de nível educacional, apesar do seu alto nível tecnológico.
Não faz muito tempo cientistas, pedagogos e professores chegaram a conclusão que a calculadora, outrora proibida nas escolas, agora poderia ser uma aliada da escola no processo ensino-aprendizagem. O mesmo processo pelo qual passou a calculadora esta passando agora o telefone celular. Este aparato tecnológico tem sido alvo de grandes discussões quanto a sua proibição de uso no meios escolares durante as aulas. Realmente não são poucos os inconvenientes que “aparelhinho” causa quando mau utilizado. Porém é exatamente a academia que deve buscar soluções para esta situação sendo madura e consciente do desafio que está a sua frente. Não há como fugir do fato de que “A tecnologia coloca toda a informação existente no mundo nas pontas dos dedos dos indivíduos, literalmente. Isso é uma “benção” e uma “maldição”” (Alvim Antônio 2006:137).
Para o meio acadêmico, isto requer que seja tomada uma nova posição diante das metodologias de ensino aprendizagem com a finalidade de tirar proveito desta evolução tecnológica e da aceitação pela sociedade, sem restrições, deste aparato pequeno, porém convergente de mídias digitais.
Desta forma deve-se fazer uma reflexão a esse respeito da seguinte forma: Se existem tantos aparelhos de comunicação móvel nas mãos de tantos brasileiros de diversas classes sociais, será possível encontrar um método de educação móvel utilizando estes celulares de modo a atingir todos estes indivíduos? De que forma a escola hoje poderia melhorar seu método ensino-aprendizagem sabendo que a maioria de seus alunos tem neste momento um aparelho celular nas mãos? Como fazer com que professores e alunos estejam mais conectados através de um aparato tecnológicos acessível a todos?
Existe uma possibilidade de obter respostas a estas perguntas. Há um horizonte favorável para colheita de bons resultados quando se enfrentar e transpassar os obstáculos que as tecnologias contemporâneas impõe à sociedade, Mas é necessário, de acordo com José Wilson & Maria Auxiliadora (2004:21), “desenvolvimento de projetos educacionais bem definidos”. Estes projetos devem ser audaciosos de maneira que visualize bem adiante do tempo atual.
“O uso de novas tecnologias da informação e comunicação, dependendo do projeto pedagógico da escola, requer e permite o desenvolvimento de novas habilidades nos alunos, como a investigação crítica e questionadora de informações nas telemáticas, nos bancos de dados, nas bases de informações dos sistemas especialistas.” (José Wilson & Maria Auxiliadora 2004:21).
Seria possível, portanto, um professor de matemática enviar a todos seus alunos de uma determinada turma um problema de geometria para ser entregue a solução na próxima aula. Uma professora de português enviar aos seus alunos um poema de Carlos Drumond de Andrade para eles interpretem. Enfim a escola estaria em contato dinâmico com corpo discente mesmo fora dos horários normais de aula. Com um bom planejamento pode-se obter razoáveis produtos no processo ensino-aprendizagem aproveitando a convergência midiática em interatividade nas mãos dos alunos.
A convergência de mídias apresentado algumas ações que também já buscam dar solução a estas questões, e uma delas é o chamado Movie Learning, ou aprendizagem em movimento. O Movie Learning, através da conectividade com aparatos tecnológicos por meio da internet, tenta convergir para o celular um processo de ensino aprendizagem que possibilite ao receptor de conhecimento e a partir de uma interatividade, compartilhar disciplinas diversas, tais como: Textos, fotos, vídeos, exercícios escolares, dicionários, perguntas e respostas a questões interdisciplinares e muito mais. O Movie Learning não só utiliza o celular como ponto de convergência de mídias mas também o CD, DVD, rádio e a TV e até o cenário de cidades estando seus alunos nos trens, ônibus, metrôs ou outro meio de transporte qualquer.
Ao falar em TV vale ressaltar que a TV Digital nos padrões propostos no Brasil deixa escapar uma oportunidade sem igual, quando não está sendo discutido um modelo que venha a beneficiar e atingir as classes menos privilegiadas, seja econômica ou educacionalmente. Porque existem condições de levar aos menos favorecidos uma educação de qualidade através da TV Digital desde que novos formatos métodológico-pedagógicos sejam propostos, pelo meio acadêmico, para que se obtenha deste avanço das tecnologias contemporâneas um bom desempenho na distribuição de conhecimento acessível a todos. Portanto, a convergência na TV Digital com o rádio, o computador, a internet e o celular podem ser ferramentas de grande auxílio para as instituições de ensino a distância. Tornando assim este meio de comunicação de massa, que é a TV, um instrumento de inclusão social, instrumento este que já existe no padrão analógico em 90% dos lares brasileiros de acordo com o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
vc tem computador em casa
Por: camila em maio 12, 2008
às 4:58 pm